Multivitamínicos
Quem precisa tomar multivitamínico A-Z (e quem pode dispensar)
Em quais situações um multivitamínico A-Z faz sentido, quem pode dispensar e o que observar na composição antes de escolher.
O multivitamínico A-Z é um dos suplementos mais tradicionais do Brasil. Muita gente toma como uma espécie de seguro. Para quem tem alimentação variada e nenhuma situação de risco, porém, a evidência não mostra benefício no uso de rotina. Já em algumas fases da vida, a necessidade de certos nutrientes é maior.
Quem pode dispensar
Em 2022, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) revisou os estudos e concluiu que não há evidência suficiente para recomendar multivitamínicos a adultos saudáveis com o objetivo de evitar câncer ou doenças do coração. Para quem come de forma variada, o mais importante continua sendo a alimentação.
Situações que pedem mais atenção
- Depois dos 50 anos: a absorção da vitamina B12 dos alimentos depende da acidez do estômago, que tende a diminuir com a idade. O uso prolongado de remédios que reduzem a acidez, como o omeprazol, também pode reduzir essa absorção. A vitamina B12 dos suplementos não depende do mesmo processo.
- Alimentação vegana ou vegetariana estrita: a vitamina B12 vem quase só de alimentos de origem animal. Para quem não consome nenhum, a suplementação de B12 costuma ser necessária.
- Depois de cirurgia bariátrica: a absorção de vários nutrientes fica reduzida de forma permanente, e a suplementação é orientada pela equipe médica.
- Dietas muito restritivas: cortar grupos inteiros de alimentos aumenta o risco de faltar B12, ferro e cálcio. O ideal é ter acompanhamento de um nutricionista.
- Gestação: o ácido fólico é indicado pelo obstetra, de preferência antes da gravidez. A escolha do suplemento e da dose deve ser feita com ele.
O que a B12 e outros nutrientes fazem
Pelos textos aprovados pela Anvisa na Instrução Normativa 28/2018, em produtos com quantidade suficiente: "A vitamina B12 auxilia no metabolismo energético.", "O ácido fólico auxilia no processo de divisão celular." e "O ferro auxilia na formação das células vermelhas do sangue."
Mais não é melhor
Tomar sem necessidade também tem limites. Vitamina A e ferro em excesso podem fazer mal, e o excesso de vitamina A é especialmente perigoso na gestação. Por isso a Anvisa define quantidades máximas por dia para cada nutriente. Se você usa mais de um suplemento, some as quantidades.
O que observar na composição
- A quantidade de cada vitamina e mineral por porção e o %VD.
- Se a fórmula é pensada para a sua fase de vida.
- As advertências. O Ultra A-Z Mulher, por exemplo, tem 75 mg de cafeína por porção e não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças.
- O modo de uso. O Ultra A-Z Sênior tem 13 vitaminas e 10 minerais, com 2,4 µg de vitamina B12 (100% do valor diário) e 25 µg de vitamina D em 2 cápsulas ao dia.
Como aplicar no dia a dia
- Antes de comprar "por precaução", veja se você está em alguma das situações acima.
- Converse com o médico ou nutricionista. Em alguns casos, o nutriente isolado (como a B12) é mais indicado que um A-Z.
- Se você usa remédio para acidez do estômago há muito tempo, pergunte ao médico sobre a vitamina B12.
- Ao corrigir uma falta confirmada por exame, repita o exame conforme a orientação profissional.
Perguntas rápidas
Toda pessoa saudável deveria tomar multivitamínico?
Não. Para quem tem alimentação variada e nenhuma situação de risco, a evidência não mostra benefício no uso de rotina.
Por que a vitamina B12 merece atenção depois dos 50?
Porque a absorção da B12 dos alimentos depende da acidez do estômago, que tende a cair com a idade e com alguns remédios.
Multivitamínico todo dia faz mal?
Dentro da recomendação da embalagem, não é esperado. O cuidado é não somar vários produtos e passar do limite diário de nutrientes como vitamina A e ferro.
Fontes consultadas
- USPSTF (2022): recomendação sobre vitaminas e minerais para adultos saudáveis
- Manuais MSD: deficiência de vitamina B12 e toxicidade da vitamina A
- ABESO: vitaminas e suplementos depois da cirurgia bariátrica
- Anvisa: Instrução Normativa 28/2018, alegações e limites máximos
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de médico ou nutricionista.